Leitura Musical
Aida Nour - Uma leitura clássica muito especial
A leitura musical de uma peça clássica
Pontos importantes a serem levados em consideração:
- Introdução inicial – preparação da expectativa do público, a bailarina não entra em cena
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Chamada de bailarina - momento em que a música de fato solicita a presença da bailarina, e inicia a apresentação propriamente dita
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Desenvolvimento dos temas melódicos e suas repetições
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Conclusão final da peça
Estamos estudando uma música selecionada por Aida Nour no último festival do Cairo em 2006. Seque abaixo a seqüência, detalhada, com respectiva contagem de tempo para melhor definição do estudo em casa.
00:33/ 00:56
Introdução com os passos para deslocamento, pontuação simples em 3t, twist lado E para marcar a melodia, posicionamento do corpo em diagonal D, giro para o lado E e deslizamento de tronco, com pose final. Repetir duas vezes. Batida lado a lado com braços seguindo harmonicamente o desenvolvimento do passo, e repetir a seqüência andando para trás.
00:58/1:05
Tremido, 8t braço direito sobe , esquerdo sobe, os dois juntos descem e flutuação lado a lado
1:05/1:31
Segunda repetição da introdução inicial
1:32/1:38
Momento de mudança de humor na música. Seguindo as pontuações,sugeridas. Acento profundo vertical, de quadril, para as diagonais, com o desenho do básico egípcio. 3 acentos de um lado, avançar, 1 acento de outro, finalização de braços, repetir do outro lado
1:39/2:11
Seqüência Mahmoud Redá
Cruzamento básico, ondulação Farida baseada na perna de trás, giro curto, oito para cima Naima Akef, arabeske aéreo para continuação de seqüência. Na primeira vez a seqüência se inicia para o lado esquerdo, na segunda para o lado direito
Tremido sobre perna esquerda elevando o braço do mesmo lado, tremido sobre perna direita, fazendo o mesmo, centralização do vibrato / passo Randa de transferência de perna atrás, finalização de ombros, estilo Samia Gamal.
2:13/2;22/2:32
Básico com XM diagonal D, oito horizontal de quadril Farida, ondulação baixa/ alta, para transferência de Diagonal. Repetir do outro lado
2:32/2:36/2:45
Círculo feito através de deslocamento. Acentos de quadril a partir do joelho. Sempre um de perfil e um posicionado de forma central, mirando frente, ou dando as costas para o publico. Fechar a seqüência com redondo pequeno horizontal. Repetir para o outro lado. O inicio é para o lado E.
2:46/2:55/3:02
Básico em diagonal, com o charme dos braços que se modificam no decorrer da seqüência, com finalização por troca de plano ou redondo grande. Respeitar os limites de seu corpo. O inicio é na diagonal E, e de frente, a segunda repetição de costas, diagonal direita trás.
3:03/3:13/3:23
Mona Said. XM, baseado na perna de trás, com pontuação também no pé que se encontra atrás. Encaixe suave de pélvis. Inicio pé E, mirando o centro de um circulo imaginário, e girando para o lado direito. Finalização com deslizamento de tronco e giro. Repetir para o outro lado, respeitando as regras
3:24/3:31/3:37
Saidi simples com pontuação de calcanhar e elevação de joelho, duas repetições
Saidi de cruzamento com relaxamento de pescoço na finalização duas vezes também.
3:40/3:46/3:53/4:02
Variação entre acentos laterais e finalizações diferenciadas
Acento lado a lado, deslocamento de peso D, redondo pequeno e ondulação contrária
Acento lado a lado, deslocamento de peso E, oito maia em duas velocidades
Acento lado a lado, mergulho a frente, e troca de face, virando de costas
Repetir tudo até a finalização da frase. Uma das repetições é de frente a outra dando as costas para o publico
4:02/4:15
Oito tempos para ir buscar o bastão, e preparar-se para a próxima seqüência
4:16/4:23
Gracinha com bastão e chute falso
4:24/4:33
Marcação Saidi com perna atrás, para finalizar este momento 8 tempos em cada uma das seqüências
4:34/ 4:38/4:41
Twist muito rápido seguido de giro para finalização, Primeiro para D e depois para E
4:42/4:46/4:50
Bat dupla lado a lado, em meia ponta alta, batida simples e gira, parando de costas, repteir o mesmo mais uma vez e parar de costas
4:51/5:02/5:09
Saidi lado a lado, deslizamento de tronco, com olhar por cima do ombro, seguido de ondulação baixa alta, para mudar o posicionamento, repetir o mesmo para o outro lado.
5;10/5;19/5;27
Bastão no chão, hagalla em volta dele, twist curto uma vez mais circundando o bastão, e então preparar-se para devolver o mesmo ao chão e ir a finalização
5:27/5;32
Quatro passadas, e dois giros para preparar o reinicio do tema que abriu a musica
Repetir a seqüência inicial e finalizar com queda lateral ao chão o momento final.
É muito importante respeitar as modificações dramáticas e flutuações de andamento de sua peça clássica. Faça o máximo para que a música flua por seu corpo como se ele fosse o próprio criador dos sons.
Variações para Saidi,
sequências ensinadas por Farida Fahmy
Mini Biografia
Farida Fahmy, filha de mãe britânica e Dr Hassan Fahmy, um brilhante professor de Engenharia egípcio.
Em 1959, quando seu cunhado Mahmoud Reda decidiu criar uma companhia de dança para apresentar as danças folclóricas do Egito, ela acabou se tornando a solista do mesmo. Juntos, Reda, Farida Fahmy e os outros integrantes do grupo, criaram uma nova forma de arte performatica- uma representação teatral da cultura tradicional do Folclore Egípcio. Foi altamente honrada em seu país e também fora dele.
Até hoje sua presença é reverenciada e admirada no mundo todo
Sua arte não conhece fronteiras ou limites.
Meu contato com ela é sempre enriquecedor e me desafia a crescer e aprender a cada momento.
A sequencia a seguir foi aprendida no Cairo no festival de 2005
Farida Fahmy
Conhecida por ter sido a parceira única de Mahmoud Reda, o que esta bailarina tem a oferecer é uma qualidade técnica peculiar e elegância ímpar. Seus deslocamentos são variados e muito leves.
- Concentração como principal definição qualitativa ao dançar.
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Diferença entre deslizar sem perda de eixo central, e troca real de peso entre os pés.
Variações para Saidi - especial para grupos e alinhamentos especiais.
1. Troca simples com pliê / Deslizamento
2. Troca simples com acento ascendente baixo cima.
3. Troca simples com colocação diagonal seguida do acento inicial mais básico egípcio sem flexão dos joelhos.
4. Troca simples com pontuação de tronco trás, recuo tronco superior com troca de peso para o pé que está posicionado atrás. Mantendo postura.
5. Troca simples com pontuação de pernas, a frente e atrás, quando vou a frente projeto a pélvis, quando retorno, escondo a mesma região. Joelhos em extensão, utilizando calcanhar para pontuar a pulsação da música.
6. Transferência lado a lado, com andada cruzada mais giro antes de efetuar mais uma vez a troca simples com flexão de joelho.
7. Transferência através de redondo grande para troca de diagonais.
8. Transfer, com redondo grande, virando para diagonal. Ao terminar este passo, se comecei do E para D, termino do lado E, transfiro peso para perna direita e executo com a perna livre, neste caso a E, ½ oito fora diagonal a frente, ½ oito dentro diagonal atrás.
Véus e a Dança do Ventre
Precisamos fazer a distinção entre a história antiga da dança com os véus e a história contemporânea. Pensemos sobre os últimos 100 anos. Ambas são importantes mas não parecem correlacionadas. Não há menção sobre qualquer dança com véus depois dos períodos Grego e Romano no norte da África. A utilização dos véus parece ter vindo novamente a tona apenas no final do século XIX.
É difícil pesquisar esse assunto, pois mulheres dançando com véus é um tema muito popular. Esse tema já foi explorado, usufruído e pesquisado por oportunistas e artistas desde a antiguidade até o presente. Dançar com véus tem invocado alternadamente a imagem da modéstia genuína assim como o erotismo acentuado pela nudez. As antigas divindades ascendiam aos céus, desciam até o mundo subterrâneo e por vezes voavam. Esse movimento é descrito na arte por véus flutuantes e algumas divindades também dançavam.
O maior obstáculo para nosso entendimento da história na dança com os véus vem das versões distorcidas da dança, apresentação inapropriada das dançarinas e informações imperfeitas fornecidas por historiadores. Um exemplo excelente disso foi a dançarina Zourna; seu pai era um árabe tunisiano e a mãe francesa. Ela passou a sua infância na Tunísia, onde aprendeu a dançar. Quando seu marido morreu e sua família perdeu todo o dinheiro, ela se transformou em bailarina profissional para sobreviver. Ela estudou ballet e coreografou peças de “fusão”, misturando dança tunisiana com ballet. Ela recebeu o merecido título de “autêntica”, pois o que ela apresentava dificilmente poderia ser classificado como oriental. Ela ficou famosa, e muitas de suas “interpretações” criaram mitos acerca da Dança Oriental.
No final do século XIX e começo do XX, surgiram diversas fotografias de mulheres dançando com o que pareciam ser lenços ou xales. Muitas dessas imagens eram fotos posadas o que deixava dúvidas acerca de sua autenticidade; poderia ser mais um exemplo do gosto do fotógrafo do que propriamente um documento fidedigno da arte daquela época. Ingleses e europeus eram ávidos compradores dessas provocantes fotografias.
Os fotógrafos descreviam o racismo dos orientalistas, a fantasia machista de como deveriam ser as mulheres dos haréns. Essas mulheres eram claramente exploradas. Acredita-se que pertenciam a famílias simples, mulheres muito pobres, prostitutas, dançarinas e escravas. As famílias de mulheres respeitáveis nunca permitiriam que elas fossem fotografadas. Podemos supor, então, que as pessoas presentes nas fotografias não eram de fato representativas da maioria da população.
Houve realmente numa determinada época danças com véus no norte da África e elas podiam ser divididas em duas categorias: a dança dos lenços e a dança dos xales. Ambas similares em sua natureza, mas com movimentos diferentes de acordo com sua proposta.
A dança dos lenços utilizava um ou ocasionalmente dois lenços. Um lenço era mantido em cada uma das mãos ou ambas compartilhavam apenas um lenço. O lenço ou echarpe era agitado no ar, rodado, enrolado ou trançado. A movimentação era rápida. Algumas dessas danças são representadas até hoje na Argélia, Marrocos e Tunísia.
Havia outras danças apresentadas no Oriente Médio, que também usavam véus. No Azerbaijão, as mulheres usam em sua dança lenços, echarpes e véus para acentuar sua beleza. Enquanto dançam, revelam delicadamente os olhos, o nariz, a face e o tronco ricamente adornado. Além de tudo, é uma forma diferente de usar o véu, pois essas mulheres geralmente o levavam atado a um chapéu ou na cabeça.
As dançarinas da Turquia eram em sua maioria ciganas e conhecidas como “cengis”. Às vezes, dançavam com a ponta do véu – que estava preso à cabeça – na boca, preso pelos dentes.
Outra dança “cengi” utilizava echarpes propondo uma mímica sobre as relações amorosas. Segurando as duas pontas de um sedoso véu entre os dedos, fingiam ser uma tímida virgem ou uma cortesã no exercício da sedução ou, ainda, usavam esse lenço como uma delicada barreira a cobrir o rosto. Às vezes enrolavam um xale de seda colorido em volta da cabeça e do pescoço. Diversas manifestações utilizando o que para nós hoje é o véu.
Na Rússia, as danças ciganas também utilizavam xales, assim como na Espanha, as dançarinas de flamenco usam seus mantons.
A dança com véus como conhecemos hoje, entrou para as apresentações teatrais de dança oriental a partir de 1940. A historiadora Morocco diz que, durante suas viagens ao norte da África e Egito, ao perguntar para as famosas dançarinas egípcias Samia Gamal e Tahia Carioca por que não havia danças com véus, recebeu a seguinte resposta: “não sabíamos da existência de uma dança que utilizasse véus até bem pouco tempo. Nem havíamos ouvido falar em algo desse gênero. O que tivemos de concreto foi na época do rei Farouk. Uma coreógrafa russa chamada Ivanova, por volta de 1940, foi convidada para a corte egípcia para ministrar aulas para as filhas do rei, e ensinou Samia Gamal algo sobre o trabalho com véus, entradas em cena e enriquecimento da elaboração do movimento de braços. Ivanova, por sua vez, parece ter aprendido através de uma dança caucasiana do Marrocos. Ela ensinou outras dançarinas famosas como as gêmeas Jamal. Samia Gamal tornou o véu popular nos teatros egípcios e o apresentou nos Estados Unidos em um filme entitulado Ali Babá e os 40 Ladrões, que foi então exportado para outros países. O véu foi popularizado e incorporado por outras dançarinas orientais em seu repertório.”
O balé russo adicionou o véu a suas coreografias, talvez emprestando essa idéia do Cáucaso ou de Salomé de Oscar Wilde.
A dança com véus foi popularizada nos Estados Unidos e tem suas raízes na Dança dos Sete Véus, de Oscar Wilde, por intermédio das famosas dançarinas KateVaughan e Lole Fuller e das visões hollywoodianas do antigo Oriente. É bem possível que Hollywood tenha sido influenciada pelos cartões postais da virada do século, que mostravam mulheres semi-nuas, posando como bailarinas de harém. Colorida e sensual, é fácil compreender por que a dança com véu se popularizou.
Em 1950, havia pouquíssimas dançarinas orientais nos Estados Unidos. Podiam ser encontradas apenas em casas noturnas étnicas. Se elas executavam sua dança com véu, era mais por influencia de Hollywood ou de Samia Gamal, do que propriamente um costume trazido do Marrocos.
Pessoas do norte da África e do Oriente Médio não compreendem a dança com véus de hoje. Não trata-se de um strip-tease. Por essa razão, as dançarinas orientais usam os véus por pouquíssimo tempo, ao entrar em cena, e logo os abandonam. “Elas não perdem tempo utilizando-o, já que seu público não o aprecia”, diz Morocco.
De qualquer forma, essa dança muito difícil de ser rastreada, não deixa de ser por isso interessante e encantadora.
Há uma perda de continuidade na história de dança dos véus. Ela parece, desaparece, e aparece novamente. Tornou-se fora de moda no Egito, mas pode ser encontrada na Turquia. Para ter os mais interessantes e elaborados usos dos véus, precisamos observar as bailarinas dos Estados Unidos, Inglaterra ou Europa.
A magia e a sensibilidade de uma bela dança utilizando os véus pode proporcionar uma experiência deliciosa e um banquete para os sentidos...
Texto traduzido do manuscrito The Illusive Veil, de Elizabeth Artemis Mourat.
A música árabe e sua estrutura única
A dança árabe é determinada pela música que se faz presente. Esta música não tem o papel de servir com pano de fundo para a dança, muito pelo contrário, ela é a linha mestra que define o que vai acontecer enquanto movimento, através da bailarina.
É tarefa desta, expressar em forma de desenhos corporais, as emoções musicais, e durante os momentos de solo melódico realçar o instrumento responsável pela improvisação.
O termo “Música árabe” é enganoso. Notas, ritmos instrumentos e estilos variam muito de país a país. Ainda assim, podemos notar que as músicas provenientes de paises árabes, compartilham sempre certas similaridades.
Uma delas, é que, dentro de sua estrutura formal, ainda existe retida uma forte tendência para improvisação, que vem do passado e cuja essência é altamente melódica.
Ao contrário da música ocidental, a música árabe não desenvolveu o uso da harmonia. A razão básica é que a teoria da harmonia depende em grande parte de um sistema tonal fixo – um espaço invariável entre as notas. Toda escala na musica oriental tem algumas posições fixas- tom e meio tom- assim como na música ocidental mas entre elas, há notas sem lugares fixos, que caem incidentalmente em posições ligeiramente diferentes na escala, cada vez que são tocadas.
Na musica árabe , apenas uma oitava, pode conter algo entre 18 a 22 notas com pausas tão pequenas como a nona parte de um tom. As únicas composições que podem conter harmonias simples são aquelas baseadas em escala e melodia ocidental.
Dentro do elaborado sistema de escalas da musica árabe, os instrumentos tem espaço para explorar a melodia, mais ou menos como numa improvisação de jazz. Isto é feito usando a melodia e desenhando ornamentos em volta dela, exatamente como na arte islâmica, que tem um padrão central, e a ornamentação construída ao redor.
O mais perto que podemos chegar da musica árabe antiga é o que podemos ouvir numa peça árabe-andaluz, o estilo Maghreb. Os mouros, termo europeu usado para designar os árabes e berberes, ficaram na Espanha por 700 anos. Conquistaram primeiramente a Andaluzia,como era chamada no início do século XVIII , e que permaneceu por algum tempo como nada mais do que uma remota província do império islamicoque por esta em franca expansão. Andaluzia nesta época era muito maior do que a área conhecida por este nome hoje em dia , e se tornaria o maior canal da civilização islâmica no Ocidente.
Por volta de 750 AC a Dinastia Umayyad foi expulsão de Damasco e se estabeleceu na Andaluzia. Esta cultura fascinante trouxe consigo formas musicais persas que até hoje sobrevivem e podem ser apreciadas na musica flamenca. O primeiro conservatório musical foi fundado no século 12 em Córdoba, sendo o mais celebrado pólo cultural europeu.
Até aquele momento , a maioria dos habitantes da Andaluzia falavam apenas árabe e tinham adotado a fé islâmica. A dominação islâmica na Espanha durou até o século 15 , quando a unidade de califados foi enfraquecida e então divisões étnicas e tribais tomaram lugar, expulsando os muçulmanos da Europa em 1492.
As múltiplas influencias do estilo artístico árabe na Espanha mourisca deixaram muito mais do que simples memórias arquitetônicas.
A musica espanhola, em seus sentimentos e poemas cantados, muito mais árabes do que europeus. O Flamenco, uma mistura de elementos mouros, andaluzes e ciganos, e sua mais tradicional manifestação que é essencialmente árabe , com ritmos separados por pausas muito curtas. Esta característica acompanha tanto as canções quanto as peças instrumentais.
A guitarra flamenca, principal instrumento deste estilo de musica, se desenvolveu a partir do alaúde, o clássico instrumento da musica árabe. O alaúde que provê a melodia e também o ritmo, é o protótipo sobre o qual a base teórica da musica árabe se baseia. É feito de uma única peça de madeira. Através da Espanha mourisca, o alaúde encontrou seu caminho no resto da Europa, tornando-se mais tarde a guitarra que hoje conhecemos.
Para examinar a musica de todos os países árabes seria necessário um longo livro e talvez o tempo de uma vida. Neste texto residem apenas informações gerais sobre o estilo da musica oriental, exemplificado pela música Egípcia, que tem absorvido a maior parte das mudanças através dos anos, e é a que se conecta diretamente com os solos usados nas danças femininas.
A musica oriental inclui muitas tradições do Iraque ao Egito. É difícil fazer a distinção entre musica clássica e musica popular. A musica clássica é um refinamento da musica folclórica. A forma menos sofisticada ou chamada folclórica é a música que encontramos no norte da África e também no Oriente Médio, que acompanha danças tradicionais como o Shickhatt no Marrocos ou a dança Gawazee no Egito.
Mulheres reunidas para celebrar poderiam produzir musica apenas batendo palmas e usando instrumentos simples de percussão como Bendir ou Daff para acompanha-las.
O sincopado é tocado usando diferentes formas de bater palmas. As mãos em concha produzem um som de baixo enquanto as palmas usando as pontas dos dedos contra a palma da mão, acabam produzindo um som claramente mais agudo. Esta riqueza e elaboração nas palmas são uma das características especiais da música do norte da África. O tambor único tocado com batões em lugar das mãos e o “Tabel baladi” um tambor enorme com dupla face que fica pendurado numa tira , ao redor do pescoço do músico. Seu som grave e profundo fez dele um instrumento muito popular em diversos tipos de celebrações, como procissões, casamentos e festas públicas religiosas ou não.
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O instrumento rítmico da música árabe é o Derbak ou Darabuka ( África) chamado tabla no Egito. Este instrumento produz uma sonoridade intensa e , quando nas mãos de um músico talentoso, o mais sutil dos embelezamentos para a música.
A musica moderna oriental, tem sido influenciada de diversas maneiras pelo Ocidente. Em alguns pontos estas influencias são bem vindas, e em outros não. No Yemen músicos que tocam peças tradicionais são altamente respeitados enquanto que os que usam a influencia ocidental, são deixados de lado.
Souhair Zaki e orquestra no Egito
Por outro lado, Líbano e Egito tem aceito enormemente, as influencias ocidentais em sua música, pela diversidade que oferecem. No Egito, a influencia ocidental, teve lugar através das tentativas do pais de se modernizar. No final do século 19, foi o momento deste florescimento, que teve grande impacto na mídia e foi um acontecimento concentrado nas grandes cidades. O Cairo é o exemplo perfeito.
Desde o final do século 19, novas escalas melódicas, padrões métricos e tipos de composições diferentes foram absorvidos dentro da musica egípcia, enquanto a variedade de instrumentos, era enriquecida pela presença de novas possibilidades e as orquestras aumentaram em tamanho e diversidade sonora.
O tabla, originalmente um instrumento baladi, entrou na orquestra apenas após o final da segunda guerra. O tradicional grupo de 4 ou 5 instrumentos cresceu até o tamanho de orquestra que podemos ouvir hoje em dia. Gradualmente outros instrumentos foram aceitos dentro da orquestração, vindos do Ocidente, como por exemplo: os pratos metálicos, herança das bandas militares, metais, violino, violoncelo e órgão eletrônico também passariam a fazer parte das orquestras egípcias.
Quanto maior o número de instrumentos e a sua variedade, mais fácil se torna criar uma rica sonoridade. Música ganha nova textura, com dominação exclusiva de certos instrumentos, dependendo do efeito desejado em certas partes da musica. Os percussionistas produzem uma ornamentação mais refinada dos ritmos e a música que um dia foi absolutamente improvisada ganha então uma estrutura melhor definida.
Oum Koulthoum - A Alma na Voz
Qualquer pessoa que conheça alguma coisa sobre música árabe, conhece o nome Oum Koulthoum.
Esse nome é provavelmente o mais famoso dentre todos os nomes árabes ligados ao canto no mundo árabe. Om significa mãe em árabe. Usando neste contexto é como se fosse um apelido, mas neste caso em especial, é o nome real de uma mulher que foi a " mãe" das mais conhecidas e amadas canções árabes de todos os tempos.
Você pode encontrar diferentes formas de grafia para este nome. Algumas vezes Om é pronunciado como : Um, Umn,Oum ou Omn. Koulsoum pode ser visto como: Kulthum, Kalsoum ou Khalthoum. Todas estas são versões fonéticas do mesmo nome.
Om Koulsoum nasceu numa pequena vila , vinda de uma família simples, em 1904. Ela aprendeu a cantar em casa com seu pai, que era o líder religioso da mesquita local e suplementava seu magro rendimento se apresentando em casamentos e outras celebrações acompanhado de seus dois filhos, Om e seu irmão. Os três sempre trabalhavam juntos.
Em virtude de sua juventude e sua voz forte e excepcional, Om logo se fez notada e se transformou em atração especial dentro do trio, por vezes fazendo a abertura das apresentações.
Com o passar do tempo a família viajou mais longe e conseguiu aumentar seus preços para contratações. Ainda mesmo com o sucesso, a família relutava em ir para o Cairo, apesar de muitas pessoas encorajarem Om a levar sua carreira a frente na cidade que era e é até os dias de hoje, o centro dos negócios para a industria do entretenimento.
Finalmente a família se mudou para o Cairo em 1923, quando Om contava 19 anos.
Sua voz foi imediatamente notada e aclamada pela imprensa , mas tendo sido considerada ainda sem instrução , uma pedra preciosa a ser lapidada. Om partiu em estudos , com diversos professores de música assim como poetas e a própria sociedade. Estudava para seguir os passos e as formas de comportamento de sua época tomando por exemplo as senhoras de elite, que eram seu público cativo em casas particulares onde ela se apresentava. Logo se tornou amiga daquelas pessoas que a contratavam e iniciava assim um novo momento em sua carreira.
Na primavera de 1926, Om Koulsoum contratou pela primeira vez músicos profissionais para acompanhá-la cantando, e eles então tomaram o lugar de sua família. Por volta de 1928, ela elevou-se ao topo dentro do " ranking" dos cantores profissionais do Cairo.
Durante os anos 20 e 30, ela esteve na TV gravando comerciais que lançaram seu envolvimento, que duraria por toda a vida, com a mídia em massa.
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Seus anúncios comerciais lhe ofereceram segurança financeira e conforto, então Om pode ser seletiva acerca de suas oportunidades para se apresentar , e aceitava apenas o que lhe interessava. Ela foi uma sábia mulher de negócios, dispensando seu agente e tomando em suas próprias mãos a organização e decisão de seus contratos profissionais. Ela cultivou, cuidadosamente seu público, que incluía um vasto número de ouvintes, sentados em casa ou em lojas, perto dos rádios, o que a transformou numa figura familiar para todos eles.
A época dourada dela aconteceu nos anos 40 e 50. Seu repertório se expandiu das canções românticas modernas para trabalhos neo-clássicos , baseados em costumes historicamente árabes, envolvendo nas composições música e poesia, recontando a vida. Esta música foi considerada genuinamente árabe e se tornou extremamente popular.
Problemas de saúde perseguiram Om Koulsoum toda a sua vida, afetando seriamente sua carreira em 1946. A preocupação com sua voz, a levou a sofrer de depressão, e esta se agravou no ano seguinte a morte de sua mãe, irmão e um sério rompimento amoroso. Em 1949 ela passou a apresentar problemas com seus olhos, agravados pela forte iluminação nos palcos e na televisão.
Finalmente ela decidiu usar óculos escuros para suas apresentações em público. Seguiu-se então um longo período em que sua saúde esteve comprometida, e isto durou até 1955. O público considerou com compaixão seu afastamento , aceitando que sua estrela imutável era de fato um ser humano. Um dos nomes atribuídos a ela durante a vida foi " Kaukab al Shark" que significa Estrela do Oriente - observação feita por Omar Naboussi durante a tradução deste artigo - Durante esta fase de sua fase, no lugar de ser esquecida, ela se tornou ainda mais querida pelo público fiel e amoroso que acompanhava sua história.
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Por esta época Om iniciou sua parceria com o premiado compositor Mohamed Abdel Wahab. Em 1964, eles produziram aquela que seria uma de suas mais conhecidas canções no mundo todo, " Ente Omri". Esta foi a primeira das dez canções que Mohamed Abdel Wahab escreveu para Om Koulsoum.
Durante os anos 50 e 60, ela expandiu sua atuação se transformando em porta voz de diversas causas ligadas a arte e a música, e entrou para a vida pública. Ela solicitava ajuda governamental para a música e os músicos atuantes no Egito. Depois da guerra de 1967, ela iniciou uma série de concertos dentro e fora de sua terra para angariar fundos para sua causa. Viajou extensivamente dentro do Egito e no mundo árabe, coletando contribuições e doando os resultados obtidos para o governo egípcio. Ela se tornou então conhecida como a voz e o rosto do Egito.
Seus problemas de saúde se agravaram muito com a idade, e sua condição geral se deteriorou drasticamente em 1971. Seu último concerto aconteceu em dezembro de 1972. Em janeiro de 1975 Om Koulsoum sofre uma crise renal que a levou a morte em 3 de fevereiro daquele ano. Milhares de egípcios entristecidos acompanharam seu funeral.
Diz-se que seu repertório completo contava com cerca de 280 canções, em temas os mais variados envolvendo: amor, patriotismo, religião e natureza. Usava tanto o árabe clássico quanto o coloquial. A maioria delas é tão famosa hoje quanto era quando sua intérprete estava entre nós e as apresentava para as multidões. Algumas das mais famosas para nós bailarinas são: " Alf Leila we Leila, Ana Fintezarak, Ente Omri, Fakarouni, Leilet Hob e Lessa Faker.
É de máxima importância para qualquer bailarina oriental profissional conhecer ao menos um pouco sobre a diva da música árabe, Om Koulsoum. Para estudos posteriores vale a pena pesquisar a internet, estando atenta para procurar por todas as diferentes grafias de seu nome. Uma referência maravilhosa é o site http://www.almashriq.com
Artigo escrito por Jasmin Jahal em 2000 -Tradução: Lulu Sabongi fevereiro 2003
Para leituras interessantíssimas visite o site desta maravilhosa pesquisadora.
Para mais informações visite os sites:
A importância dos Ritmos típicos na estruturação de seu show!
Abaixo notações dos principais ritmos da música árabe.
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Como bailarinas, precisamos reconhecer os ritmos básicos que pertencem a dança Oriental e que farão parte inevitavelmente de nossa vida artística. Treinar sua capacidade auditiva para reconhecer diferenças e poder vivenciá-las dançando é essencial para sua qualidade e comprometimento enquanto expoente de uma arte que tem raízes muito longe de nossa terra.
Não temos que reconhecer dezenas de ritmos diferentes mas sim uma parte deles. Alguns que freqüentemente aparecem e determinam a estrutura de uma apresentação.
Geralmente, uma entrada de dança tradicional envolve uma seqüência mais ou menos previsível, no que se refere ao aparecimento dos ritmos e diferentes momentos da apresentação.
Uma pequena introdução ou música de entrada, que oferece algumas mudanças rítmicas , paradas, e momentos de efeito, como um aperitivo mostrando a habilidade da dançarina. Improvisações melódicas podem ter lugar num segundo momento, trazendo um conteúdo poético a performance, através do takssim. Um solo percussivo, que exige o máximo no que tange o controle da região do quadril, mostrando a agilidade e capacidade criativa da bailarina. Ao final da apresentação o mais comum é o que chamamos gran finale, uma composição curta e de grande apelo expressivo que finaliza a dança em grande estilo, com acelerações progressivas, culminando num clímax musical.
Baladi, Maqsoum, Masmoudi e Malfouf, são ritmos muitas vezes usados em entradas. Baladi e Maqsoum compartilham o mesmo padrão de acentuação, sendo que o Maqsoum, é usado muitas vezes em sua versão acelerada e começa com um dum, e depois Tek, no lugar do famoso e conhecido Dum Dum, que inicia o Baladi. Há muita controvérsia entre os músicos de diferentes procedências sobre a nomenclatura dos ritmos , portanto nossa preocupação deve se deter na execução dos mesmos no lugar do conhecimento teórico que serve muito mais ao acadêmico do que a nós, bailarinas, que necessitamos da prática mais do que qualquer coisa. Em conservatórios do mundo árabe, o baladi que conhecemos no Ocidente muitas vezes é chamado de Masmoudi Sughair, ou masmoudi pequeno. O ritmo que aqui no Ocidente chamamos de Masmoudi lá é designado por Masmoudi Kbir, ou Masmoudi Grande. O Malfouf não é relacionado aos ritmos acima, é mais curto e cativante, ainda que seja tocado muito rápido.
Alem do conhecimento dos ritmos que funcionam como a respiração da música, temos que ter o conhecimento e disposição para explorar a parte melódica, que é onde encontramos as nuances diferenciadas, que determinarão humores diferentes, trocas de intenção e temas peculiares dentro da peça musical. Se esta sensibilidade não for acordada, perdemos muito da música, apresentando uma versão empobrecida sobre a mesma.
No SÓLO, de percussão, um dos derbakistas, vai providenciar uma base para a improvisação, muitas vezes o próprio Maqsoum, enquanto outro solista, conecta uma série de temperos, ou frases , misturando propositadamente, ritmos e floreados, que podem ser totalmente improvisados ou previamente decididos. Geralmente qualquer variação é tocada duas ou quatro vezes para oferecer a bailarina uma chance maior de ajuste, especialmente nos casos em que os dois não trabalham juntos e necessitam adaptar-se em cena. Uma boa forma de se preparar para os solos, é ouvir diversos deles, sem ordem específica, para acostumar-se com as variações e ao mesmo tempo estimular sua pronta resposta enquanto bailarina.
O momento final, geralmente é curto e tem progressão natural partindo de uma cadencia moderada e se desenvolvendo até um desenrolar muito mais rápido. Ayoub e Malfouf são os ritmos mais comuns para saída de cena. O que é desenvolvido ao final da peça também pode ter como base o Maqsoum, com outros ritmos sendo tocados em sobreposição para criar o desenrolar da performance.
Nossa preparação deve ser continua e intermitente, com os anos vc vai perceber que conhecimento é uma riqueza, fácil de adquirir, e bem estruturado, impossível de perder. Podem nos aprisionar fisicamente, mas nossa mente e capacidade sempre abrirão as portas de onde quer que possamos estar com nosso corpo concreto. Asas a imaginação!
A Ética na Dança do Ventre
Quando falamos em ética na dança do ventre, a primeira coisa que me vem à cabeça é a bailarina que se lembra de sua professora, aquela que lhe inspirou os primeiros movimentos na dança. Algumas falam de sua primeira orientadora com euforia, com uma conotação de sonho puro. Falam dela com orgulho, não mencionam fatores negativos ou desedificam-na, pois ela foi o início de todo o envolvimento daquela bailarina com essa arte.
Pessoalmente, acredito que podem ser chamadas de mestras aquelas que estudam a dança com afinco, todos os dias, por mais de dez anos, pesquisando, viajando e buscando aprimoramento e desenvolvimento.
Ocorre no Brasil uma situação que, infelizmente, é normal no mundo inteiro: dança do ventre não é uma profissão regulamentada, e isso tira a possibilidade de obtermos um respaldo, à primeira vista, de qualquer bailarina que se diga profissional. Todas são professoras e, até que se prove o contrário, “ensinam”.
Quando alguém me diz: "Sou professora de dança do ventre", eu realmente acredito. Se seu nome é novo no mercado, sabe-se que seus ensinamentos ainda são uma ligeira tentativa. Não deixam de ser. Afinal, muita gente procura algo para iniciar uma atividade profissional. Por que não dança do ventre? Se sua didática e seu talento terão condições ou não de vingar, já é uma outra estória.
O que envolve afinal a ética na dança?
Basicamente, ela tem início em sala de aula e, a partir do momento em que se decide trabalhar de forma profissional com a dança, ela passa a dirigir o comportamento bailarina. Esse procedimento sugere uso constante de valores que nem sempre são observados, principalmente o respeito por todas que fazem parte deste meio.
É preciso deixar claro que ninguém é tão bom a ponto de julgar a competência de outrem. Quem sabe tudo? Quando menciono isso, quero dizer que é dispendioso e inútil escoar seu precioso tempo, tecendo comentários pejorativos sobre alguém do meio e tornar isso parte de seu dia-a-dia, criando intrigas e carregando uma "sacolinha de pedras" a tiracolo. Se você entrou nesse tipo de conduta, que é uma "rosca-sem-fim", chegaremos à conclusão de que seu tempo não deve ser tão precioso assim.
Lembre-se que a credibilidade sempre acontece quando merecida. Do mesmo modo, comporta-se o mercado e o público: ou enaltecem uma bailarina ou, simplesmente, esquecem-na (se ela não apresenta o nível e a credibilidade desejada ao longo do tempo). Siga sempre seu ritmo e trabalhe com seriedade. Você não está numa corrida, o resultado virá com os anos. Nada acontece imediatamente, ou, se acontece, acredite: é uma "miragem", logo se dissipa.
Assim como existem vinhos para todos os gostos e todos os bolsos, existe público para todos os tipos de bailarina ("O mercado dá a resposta!"). Entretanto, intimamente, sabemos quem realmente se dedica à arte e quem só possui um conhecimento superficial. É desnecessário ficar criando polêmica sobre isso.
Por mais que queiramos, a proporção de gente que faz um trabalho não-sério é infinitamente maior do que o contrário. Fazer bem feito envolve compromisso, disciplina, perseverança e honestidade. Raramente você vai encontrar alguém com estas quatro qualidades juntas. Mas, se desejar, você pode desenvolvê-las ao longo do tempo. Caso opte por cultivá-las, observará que os resultados serão surpreendentes. Essa receita não falha nunca!
A princípio, acredito que alguns pontos fazem muita diferença em uma bailarina e, por isso, devem ser lembrados:
1 Ter um relacionamento honesto e aberto com outras pessoas que trabalham em sua área.
2 Ser pontual nos compromissos assumidos: apresentações e aulas.
3 Não discutir com o contratante. Defina claramente as condições do show antes, para não reclamar depois.
4 Evitar fofocas e boatos, infelizmente tão comuns no meio artístico.
5 Procurar compartilhar o espaço e não oferecer atrito onde quer que esteja.
6 Respeitar os grupos que não fazem parte de sua esfera de trabalho.
7 Utilizar bom senso nos relacionamentos.
8 Portar-se impecavelmente com todos a sua volta, para que as oportunidades sempre venham a seu encontro.
9 Definir o valor do cachê e não mudar de idéia. Às vezes o contratante, dizendo ter preço melhor, tenta uma barganha.
O que torna uma pessoa ética? Alguém que não é ético tem condições de passar a ser? Estas são duas perguntas de difícil resposta, principalmente porque requerem estrutura na formação do caráter. Para que alguém não-ético passe a ser o oposto, terá de lidar com tropeções e muitas escorregadelas no percurso. Não é fácil viver em nossa sociedade, mantendo equilíbrio e consciência de grupo.
Acima de tudo, acredito que a falta de ética é principalmente, um vício. Pode tornar-se um vício andar com alguém que fale mal de tudo e de todos. Pessoas muito negativas influenciam qualquer grupo de forma estrondosa, pois o negativo é popular. A princípio, você apenas se aproxima e ouve. Daqui a pouco emite alguma opinião sobre algo do qual quase não tem conhecimento. Passado algum tempo, passa ser a senhora da razão e inicia o seu declínio, onde você é a personagem principal (divulgadora de fofocas e não mera ouvinte). É como um vírus: quando você percebe, ele já tomou conta de você e começa a destruir os valores éticos. Perde-se razão e daí por diante as conseqüências são desconhecidas.
Estar em equilíbrio é, principalmente, perceber que existe espaço para todos num mercado em ascensão e que, quando fazemos nossa parte da melhor maneira possível, não há necessidade de "puxões de tapete".
Ficar próximo a alguém que fala mal de todos não é tarefa das mais agradáveis.
Nosso mercado ainda é um bebê em muitos sentidos. Temos tido muitos exemplos, mesmo fora do círculo da Khan el Khalili, onde diversas bailarinas perceberam este mal e, de alguma forma, estão encontrando um antídoto contra este vírus.
Concluindo, é importante dizer e lembrar que pessoas com valores definidos e em equilíbrio são queridas e requisitadas socialmente.
Vale a pena arriscar e procurar fazer para os outros aquilo que você gostaria de receber deles. Os resultados são promissores.
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