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Leia sobre a última viagem ao Egito da Lulu Sabongi em 2010, e entre em contato para maiores informações de como participar dessa aventura e mundo de sonhos em sua próxima viagem em 2012.

7 de Outubro de 2010
Egito - Aqui vamos nós
Malas ainda por fazer como sempre. No sábado embarco com um grupo de 24 pessoas, encontrando outras 16 do Japão, para uma viagem ao país que nos deu esta dança.
Com todas as contrariedades que lhe cabe, o Egito não passa incólume na vida de ninguém. Entrar em contato com uma cultura diversa, sabores e cheiros por toda parte, e o contraste que encontramos no Brasil, lá do outro lado, na Africa.
Organizei um modem móvel, para poder me comunicar com os amigos, então, se eu tiver energia, vou fazer um diário de bordo contando um pouco do que passamos, a cada etapa da viagem.
Teremos um mini festival dentro de nosso grupo, algo exclusivo contando com 4 professores egípcios de renome, liderados por Aida Nour. Estou ansiosa por isso, pois minha experiência com aulas lá, sempre foi nos grandes festivais, e neles é impossível ter acesso ao professor com apenas mais 20 colegas de classe.
Conto tudinho para vcs a cada etapa.
Beijos e até a volta.


10 de outubro de 2010
Nosso primeiro dia no Cairo
O vôo saiu de sp na hora certa, então esperávamos chegar também dentro do esperado e assim foi.
Lamento dizer que a Alitália é mesmo uma cia sofrível, e a única coisa que faz valer a pena a escolha é a economia no valor da passagem, porque a tripulação é absolutamente antipática, e faz de conta que não ouve o que perguntamos. Super decepção. De certa maneira, em função dos italianos abrasileirados que conhecemos, temos a impressão errônea, de que eles são amigáveis como nós....peninha, nada mais distante da realidade.
E continuamos nosso caminho.
Mais tres horas de viagem e finalmente chegamos ao Cairo.
Muitas pela primeira vez, e a emoção bate forte, mas as meninas aguentaram bem, já que amanhã é o dia D, vendo as pirâmides, então parece que todos estão economizando emoções.
O gostoso de viajar é essa volta a infância, que temos, cada vez que exploramos algo novo que ainda não fez parte do cotidiano e por isso mesmo parece tão encantador...
Chegamos ao aeroporto, e lá se vão mais fotos. Depois de conseguir encontrar todas as malas, hora do ônibus.
Ainda tínhamos energia como todos podem ver: Hotel, chaves, alguns tomaram banho, outro nada.
E lá fomos nós direto para o Khan el Khalili, o real, que fica por aqui mesmo, para curtir o bazar.
Pensei que o melhor seria apresentar mesmo o mercado para o pessoal, já que iam se apaixonar de qq jeito, e então poderiam decidir quando e como voltar....
Morrendo de fome mas ainda assim todos sorridentes, afinal cara feia não faz a comida vir mais rápido mesmo náo é?
Nosso jantar não durou muito, todo mundo doidinho para comer. O Naguib Maghfouz é mesmo uma ótima opção, tudo estava uma delícia, e acho que o pessoal gostou.
Pertinho de tudo, é uma pedida muito boa para uma pausa ou mesmo, para a chegada no Cairo, bem com o pé direito na primeira noite.
Disse para as meninas não cederem ao impulso de comprar no primeiro momento, mas o desejo fala mais alto que o bom senso, e claro, já adicionaram ítens ao carrinho, logo depois do jantar Festa na rua e povo reunido.
Antes da compra, shisha e boa música, acompanharam a galera.
Lessa Faker, Inta Omri, e outras canções clássicas embalaram nossas primeiras horas na cidade. Demorou para chegar lá mas valeu a pena ficar de molho no táxi.
Um bom café turco, servido com estilo encanta a muitos, e Tati, cedeu a tentação junto com seu amor Ronaldo.
É certo que só as duas tomaram café, mas a bebida faz parte de mim, então mãos a obra...
Estou caindo de sono, eu volto amanhã...para terminar o diário de bordo!
Beijos a todos
Lulu

12 de Outubro de 2010
E continua a viagem - Cairo esta semana!!
No segundo dia, a clássica visita as Pirâmides, que acaba sempre causando emoções inesperadas.
Me lembro da minha primeira vez, e então já sei que algumas pessoas vão de fato se emocionar muito com a primeira visão de uma das maravilhas do Mundo.
Como chegamos e fomos direto ao Khan el Khalili, todos já estavam preparados para voltar se quisessem, e assim foi que no terceiro dia da viagem, já estavam cuidando cada um do seu programa, e hoje por exemplo eu não vi ninguém....quando encontrei as meninas para jantar, de um grupo de 24, só seis estavam lá me esperando, o restante, por aí, curtindo o bazar e seus encantos.
De noite foi a vez do show, afinal vir ao Egito sem assistir dança é um pouco demais, e lá fomos nós ao Nile Maxim, sem antes ter certeza de que a bailarina da noite seria interessante. Nada mais do que Randa Kamel, inspiradíssima quando viu aquele bando de mulheres ávidas.
Foi muito engraçado, eu estava sentada bem a afrente, e ela tomou um susto, não esperava !!!
Claro que no final, foto com a galera toda e mais uma noite cumprida com louvores.
Como no Egito quase ninguém dorme, parece que o bichinho pega em todo mundo. Voltamos do show e decidimos ir a um lugar qualquer fumar shisha e tomar um café.
Embarcamos numa aventura de fato. O primeiro lugar, Felfela estava fechado e então rumamos para outro, que segundo as informações era muito pertinho!!!
Deita o cabelo e vai, como dizem no interior....deitamos o cabelo e ele nunca mais levantou, andamos a esmo - pelo menos esta foi nossa impressão - por quase meia hora, quando afinal paramos em um lugar chamado Mandarin. Fica na Cornich el Nil....
Entre indas e vindas, conseguimos finalmente um ponto a beira do Nilo, onde ficamos por 3 horas, jogando conversa fora e falando da vida.
Pensando que chegaríamos ao hotel tranquilamente para algumas poucas horas de sono, não imáginávamos que teríamos que enfrentar uma discussão com o taxista, que claro queria muito mais do que o justo ao final da noite...fala com policial, barganha mais um pouco, e finalmente fomos dispensadas para dormir...quanto??? Um pouquinho----- a regra é o Egito não é lugar para dormir, quer dormir vai para casa!
Então eu, não consegui levantar hoje de manhã... perdi o breakfast e passei o dia zonza, checando as últimas informações para os próximos dias da viagem.
Programas possíveis em Sharm el Sheikh, compras no Khan el Khlaili, apresentando as meninas as pessoas em quem confio, e tirando as dúvidas.
incrível como esta cidade me deixa desperta.
Agora já são mais de duas horas, e continuo ligada, deste jeito volto para o Brasil só o pó
Amanhã, aulas com Nani Sabri, e Aida Nour, depois de amanhã, Farida Fahmy e Gamal Seif, seráo no total 12 horas de aula em dois dias, uma tacada e tanto....
Torço para ter energia e aguentar firme , pelos próximos doze dias!!!
Beijos aos amigos(as)
Lulu

14 de Outubro de 2010
Um dia de cão!
Esse é um dos muitosssssssssssssss gatos egípcios que encontramos aqui pelas ruas!!!
Sabe aqueles dias que parecem nao terminar nunca, mas que prometiam ser uma boa lembrança na vida, quando começam?
Tive um assim hoje...
Tínhamos aula num hotel próximo ao nosso, e o programa teria início as dez e meia da manhã.
Contactei um taxista que se chama Shukri, e traria outros 3 para o Hotel, logo cedo, garantindo assim a chegada das meninas ao hotel das aulas.
Preparei a chamada da manhã, wake up call, e estava pronta na hora marcada. Liguei para Shukri uma hora e meia antes, para garantir que tudo daria certo.
Ao chegar a hora marcada e sem a presença do homi por aqui, liguei de novo. Ele me diz então que está preso sem nenhuma possibilidade de chegar num transito pesado em algum lugar bem longe.
Qual minha saída? Encontrar outros táxis....
Arrumei 4, disse o nome em árabe do hotel confirmei que sabiam onde estavamos indo, disse que teríamos que estar juntos....
Ahahahahaha.....que ingenuidade a minha. Cada um foi para um lado, levando as brasileiras que neste momento não tinham o endereço do hotel, pois eu era a pessoa encarregada.
Nos perdemos umas das outras, perdemos a primeira parte da aula, e uma parte do grupo simplesmente desistiu de tudo. Pelo menos esta era a posição no dia do desastre!
É num momento como este que pensamos, o que eu estou fazendo aqui, ou como dizia minha avó, onde foi que amarrei meu burro.
Por mais que tentemos fazer tudo da melhor maneira, a tal da imprevisibilidade, sempre resolver fazer visitas "imprevisíveis" e embananar o meio de campo completamente.
Quando cheguei no hotel novamente, bem tarde da noite, me preocupava já com o dia seguinte.
Uma parte do dia de ontém foi boa, tive um jantar com Farida Fahmy, e ganhei de presente um livro que conta a história da pesquisa de campo do grupo Reda.
Jantar maravilhoso, companhia incrível, tive um alento.
Para o dia seguinte- Hoje!!! tínhamos van, e tudo correu maravilhosamente
Que bom que o manhã sempre existe para apagar aquele Hoje que não foi dos melhores!!!

16 de outubro de 2010
ZIKR - uma prece em movimento - pela primeira vez na minha vida!
O dia hoje foi maravilhoso.
Certo que perdi o primeiro passeio da manhã, pois estava já há dois dias sem dormir e simplesmente desmaiei.Também vomitei, para rimar talvez??
Mas é verdade, só posso pensar que meu corpo teve que fazer algo drástico para me fazer parar um pouco, estava completando quase 48 horas no ar, sem dormir, e então pufff, tive um piripaque!!
Fiquei quietinha esta manhã e estava pronta para o ataque a tarde.
Conhecemos o templo de Kom Ombo, que é um dos melhores conservados, e traz detalhes, greco romanos, pois foi construído durante o período de ocupação que pertence a estas outras duas culturas.
De noite a tradicional festa da Galabia no navio, onde claro as brasileiras, pegaram fogo, e foi um furdunço total!
O jantar de hoje foi um churrasco, e era difícil decidir o que não comer.
um dos pontos importantes numa viagem de grupo como esta, é de fato a escolha do barco. Podemos até escolher os hotéis com 4 estrelas no Cairo e em outras cidades, mas o barco tem que ser 5 estrelas.
O nosso é lindo, e tem um serviço impecável até o momento, então estou feliz de ter feito uma escolha acertada. Mas vamos a minha noite que reservava uma surpresa mais do que especial.
No fundo as viagens servem para que possamos conhecer pessoas, e seus mundos, que são distintos do nosso.
Hoje reclamando com dois outros guias, sobre o show nubio de ontém, acabei descobrindo um novo amigo. Esse guia , que se chama Ahmed Kabe, é um ótimo contador de estórias, e ouvi dele muitas, incluindo a versão completa da antiga história egípcia antes do tempo dos Faraós
Chegando a Edfu a noite, me convidou para um café, e eu ouvi ao longe , uma música estranha, que me chamou bastante a atenção.
A princípio pensei ser uma festa baladi, mas o som era distinto disso e tinha um ritmo totalmente diferente do que seria uma festa local.
A princípio Ahmed disse que eu não deveria ir até lá sozinha, porque não tomar um café, e se ainda quisesse dar uma olhadinha, ele iria me acompanhando, mas não poderíamos chegar muito perto porque aquele era um encontro Zikr.
Se o intuito dele era me desanimar, nada poderia ter dado mais ao contrário. Quando soube do que se tratava, minha vontade era ainda maior, e pensei comigo...ok, se ainda estiver acontecendo a música depois do café, vou mesmo que seja sózinha!
Assim foi, depois de ficar um tempo na cafeteria, voltávamos ao barco quando ouvi a música novamente e pedi a ele que viesse comigo.
Fomos chegando perto, e o som me chamava ainda mais.
Imaginem um grupo de homens, todos vestidos com galabias , cores distintas, rezando em movimento. Foi isso o que vi, homens simples, que se moviam ao sabor da música sufi, dançando a vida.
A letra do que cantam, fala da amargura, do divino, do amor...
Duas linhas, que se movem de frente uma para a outra, com uma certa ordem, que eu não sei explicar.
é como se uma delas tivesse um líder e a outra um outro líder.
Os movimentos são compartilhados, entre os integrantes de uma das linhas, e do outro lado, outro movimento, acontece também em uníssono com os outros integrantes.
O ritmo se modifica, e a velocidade também. E tudo vai se encaixando devagar, se o som diminui em dinâmica os movimentos o seguem, e quando ele cresce o mesmo ocorre com a movimentação corporal.
Difícil descrever, uma daquelas situações onde sentimos que a informação vai direto para a alma, e tem dificuldade em ser decodificada pelo racional.
Me sinto abençoada, por ter encontrado Ahmed, que pode me acompanhar, e também ser uma espécie de guardião, pois estas cerimônias coletivas, são exclusivas para homens, e portanto eu era a única mulher presente.
Deixo vcs com uma imagem deste momento!

21 de Outubro de 2010
Viagem de Balão em Luxor
Fiquei alguns dias sem escrever. Em Luxor no último dia comecei a me sentir estranha.
Fiz uma viagem de balão, que foi a maior aventura da minha vida.Nunca antes tentei algo tão arriscado para meus padrões de distãncia do chão.
A idéia toda me parecia uma loucura e valeu a perda de um presente que eu havia comprado. Tive que deixar minha bagagem já arrumada com os dois bastões que comprei, dentro do navio, pois nosso tour com o balão teria inicio as cinco e meia da manhã, e meu guia simplesmente se esqueceu dos bastões em um ponto do trajeto entre o navio e o hotel em Luxor.
Para sair com o balão, primeiro tomamos um barco para cruzar o Nilo.
Depois de cruzar o rio pegaríamos uma van que então nos deixaria no local do vôo.
Era bem cedo mas o sol racha desde que desponta, então todo mundo já com proteção total para se precaver contra qualquer coisa, ou seja queimaduras!!!
O calor aqui é tanto que começa a dar saudade do nosso inverno leve. De certa forma eu estou morrendo de vontade de sentir um friozinho! Abaixo podem ver como era nosso barquinho!

Depois de cruzar o Rio o caminho para a área dos balões não levou muito tempo. Eu ia pensando, se teria coragem de fato para levar isso até o fim, porque tenho medo de altura e isso vai alto de verdade. para ser bem sincera achei que ia desistir, até que estava dentro e não tinha mais jeito de escapar.
Este era o nosso balão. ENORME!

Vendo o processo de como ele é preenchido com ar quente, dava um medo danado de entrar e este medo me acompanhou todo do tempo, independente de ter decidido ir!
Para subirmos no balão é um processo, um monte de homens tem que segurar o bicho porque quando está pronto para subir ele tem que ser controlado.
Subimos todos, e logo logo, a visão se modifica, e temos de fato , um outro ponto de vista.
Uma forma de ver que não é possível de jeito nenhum, com os olhos presos na terra, e nem dentro de um avião, só mesmo dentro de um balão.

Essa foi a primeira imagem a partir do ponto em que começamos a subir, logo logo tudo adquire outra proporção em função da distancia do chão. É tão rápido e a visão se transforma num piscar de olhos.
A imensidão do deserto , a faixa verde que é criada apenas em função da existência do Nilo, podemos ver tudo no lugar de apenas ser informados acerca.

Ao fundo o Nilo, a grande dádiva do Egito

Os templos vistos de cima, de onde estávamos. Isso foi de fato a coisa mais maluca que já fiz em toda a minha vida. Nunca imaginei que teria coragem de entrar num balão a gás, e voar por ai, ainda mais depois do que aconteceu com o padre no Brasil.
A sensação de estar tão alto e ver tudo por outro prisma foi de fato algo único.

Neste momento nosso balão era o mais alto de todos, com mais de 2 kms de distancia do chão. Incrível ver isso de cima. Um mundo de areia e vastidão, e a gente se sente pequenininha no mundo!

Estes meninos foram parte do grupo que ajudou o balão a descer.
Uma aventura e tanto.
Nunca vou esquecer!!!

24 de outubro de 2010
Pedaços de impressões - Voltando para casa!
Estar no Cairo ou no EGITO é sempre um convite ao mergulho das sensações.
Seja pelos cheiros novos, pela comida que nem sempre cai bem, ou pela dificuldade de dormir, não querendo perder nada....o convite ao novo se instala assim que pisamos no país.
Dentro destes 15 dias, uma das meninas do nosso grupo disse que viveu 15 anos em 15 dias, achei uma delícia este comentário mas sinto algo parecido.
As viagens sempre nos trazem tanto, que o aprendizado delas vale por muito mais tempo do que a duração de nosso trajeto.
Seja numa vila Núbia, onde as famílias se acostumam a estar sempre juntas, mesmo após o casamento.
As casas dos filhos são construídas grudadas nas de seus pais, e talvez por isso, além de toda a herança cultural, os traços familiares sejam tão marcantes, e profundos na vida destas pessoas.

Segurando um filhote de jacaré, acreditam/ Pois eu nem acreditava.
Essas pessoas convivem com o animal desde pequenos, e sabem como se comunicar de alguma maneira.

Navegando nas felucas, sentindo a brisa do Nilo, muitas se viam encantadas. Como diz meu marido, as vezes a vida é linda...quase sempre pode ser, quando nossos olhos olham na direção correta.
A gente devia fazer o exercício que fazem os girassóis, sempre se viram procurando a luz, não importa onde ela esteja. Olhar pelo melhor lado é uma opção e não um mandamento. Vc faz se quiser, e tem uma vida melhor se assim o desejar.

Nós quisemos, a cada dia, ríamos mais, até mesmo do que acontecia de errado, porque afinal a vida seria um tédio se tudo desse certo sem desafios e surpresas.
Durante o perscurso o entrosamento do grupo foi crescendo a cada dia, muitos ganharam apelidos, ou pequenas palavras viraram o mote de cada um, baaaa` eu tô tri cansada.....oh garota, se concentra, coloca fóco, dez dólales....pequenas coisas que lembraremos sempre, e que fizeram a diferença neste grupo.

Aventuras, cansaço, calor e muito mais.... |